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Esta é 4ª crónica que escrevo neste espaço e para ilustrar o meu entusiasmo com esta equipa do Benfica não resisto a apresentar-me a todos os que lêem estas linhas porque penso que posso ser um exemplo representativo de um grupo alargado de pessoas com uma história recente semelhante em relação ao nosso clube. Estou na casa dos 30 anos e sou do Benfica desde que me lembro. Os meus Pais são os dois Professores de Desporto, tendo o meu Pai sido também gestor desportivo durante cerca de 20 anos, o que lhe assegurava um cartão que permitia acesso gratuito a todos os recintos desportivos (eu sei, um sonho…). Por este motivo, desde os meus 4 ou 5 anos de idade comecei a frequentar quinzenalmente o Estádio da Luz, não só para ver futebol, mas por vezes também para ver basket ou hóquei no mítico Pavilhão Borges Coutinho. E nas semanas em que o Benfica jogava fora, até acompanhei o meu Pai algumas vezes ao Restelo e não escondo, até a Alvalade. Mas como diz o anúncio: Se eu podia ter sido Sportinguista? Poder podia, mas não era a mesma coisa… As primeiras visitas ao, então gigantesco, Estádio da Luz habituaram-me a ver o Benfica a golear quase todos os adversários – lembro-me bem de ver Magnunson ou Rui Águas a marcar aos 2 e 3 golos por jogo a Salgueiros, Chaves, Guimarães ou outros clubes que se atravessassem pela frente… e a ver o Benfica a jogar de igual para igual em qualquer jogo da Taça dos Campeões, hoje Liga dos Campeões. Quando entrei na adolescência, deixei de poder entrar nos estádios gratuitamente e passei a frequentar menos os jogos, mas nunca fui menos Benfiquista por isso, aliás talvez essa distância tenha até aumentado o sentimento pelo clube. Fazendo uma rápida retrospectiva acho que os meus momentos de Benfiquismo mais profundo foram mesmo nesse tempo da adolescência quando bastas vezes dava por mim a ouvir, segundo a segundo, ressalto a ressalto, o relato de rádio dos jogos Europeus de uma super-equipa de basket do Benfica, comandada pelo inesquecivel Carlos Lisboa e devidamente assessorado por Jean-Jacques, Henrique Vieira, hoje treinador ou Mike Plowden, hoje desaparecido. De facto, o meu Benfiquismo, quer ou quisesse ou não, sempre existiu. No entanto, foram as grandes equipas do Benfica, independentemente de serem de futebol, basket ou hóquei e de serem mais ou menos ganhadoras que mais me arrebataram. Eu não me lembro se a equipa do Benfica que ganhou 1-3 em Anfield Road em mais uma noite mágica do imparável Isaías, foi ou não campeã nacional mas sei que essa equipa empolgava e dava vontade de ver e sofrer por ela. Eu não me lembro quantas vezes o Thern, o Ricardo Gomes, ou o Paneira foram campeões, mas tenho a certeza que eram craques e vê-los a jogar, gerava em mim uma vontade instantânea de ir para a rua jogar à bola com os meus amigos. No entanto e apesar de pensar que está à vista que sou um Benfiquista dos sete costados, em Dezembro do ano passado dei um passo que já tinha considerado por várias vezes, mas nunca concretizado, tornei-me sócio do Sport Lisboa e Benfica. Eu sempre fui do Benfica, mas até à adolescência não precisava de ser sócio porque tinha entrada gratuita no estádio, no inicio da idade adulta não tinha meios de assegurar essa responsabilidade e nos últimos anos é fácil perceber porque nunca me fiz sócio: Eu gosto muito do Benfica, mas custou-me muito ver o clube a ser dirigido por pessoas desonestas, treinado muitas vezes por incapazes e sobretudo, com vários jogadores sem classe que tiveram a sorte e não o talento de poderem envergar a camisola do Benfica. Mesmo nos últimos 5 / 10 anos, em todos eles dei várias oportunidades e fui ver 3 ou 4 jogos por época para “sentir” a equipa e o Estádio e ano após ano reforcei o meu desânimo. O ano passado fui ver o Benfica 0 – Guimarães 1, em Março 09, com Quique Flores e sabendo eu que o treinador tinha mais um ano de contrato, jurei a mim mesmo que no ano seguinte não voltaria ao Estádio, pois a qualidade do futebol era vergonhosa, mesmo tendo actuado nesse jogo Maxi, Luisao, David Luiz, Di Maria, Aimar e Cardozo, todos eles indiscutíveis este ano! Quique não ficou. Entrou Jesus. E a esperança renovou-se. Os jogos da pré-temporada foram promissores e logo que pude fui ao Estádio ver um jogo e num deles vi o Benfica golear o Leixões e noutro humilhar o Vitória (?) de Setúbal, mas além dos golos e das vitórias “à antiga”, senti sobretudo uma vontade, atitude e garra muito diferentes, para melhor claro. Fiz-me sócio, tenho ido ver todos os jogos na Luz e alguns fora e que me lembre ganhámos todos os jogos excepto o jogo com o Marselha, mas sobretudo entusiasma-me o espírito da equipa, a atitude guerreira, que dá tudo por tudo e em todos os jogos parece que paira no ar a vitória do Benfica. E com isto, a Luz voltou a ser Inferno para os adversários, basta ouvir os vários treinadores da 1ª liga que por lá passaram. Como referi inicialmente, sou Benfiquista desde sempre e sócio à uns meses e apesar da boa época do Benfica, a verdade é que esta semana vai perceber-se se o Benfica vai fazer uma época boa, muito boa ou excelente. Para isso vão contribuir decisivamente os resultados dos próximos 3 jogos do Benfica. Por ordem de importância: Exige-se uma vitória sobre o Braga, que praticamente garante a Liga; o melhor Benfica do ano, ao nível do SLB – FCP, em Marselha re-editando Leverkusen ou Londres; e um jogo ao nível médio deste ano para dar luta ao Porto no Estádio do Algarve. Mesmo que o Benfica falhe os dois primeiros jogos desta série é indispensável darmos todo o apoio à nossa equipa para o jogo com o Braga, porque recuperar o titulo da Liga Portuguesa é o primeiro passo para voltar a dar ao Benfica a posição e dimensão que merece. Este ano vencer a Liga doméstica, no próximo ano entrar na Liga dos Campeões pela porta grande e voltar a mostrar a todos quem é “O Maior de Portugal”. Força Benfica!
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