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E a chama imensa voltou, com o inferno da Luz a procurar aos poucos o seu ressurgimento. O Benfica recebia um Sporting com estatuto de líder, mas que nunca conseguiu demonstrá-lo em pleno relvado da Luz, onde as «águias» revelaram um controle dos ritmos e momentos do jogo como há muito não se assistia. O jogo até poderia ter conhecido outros contornos se logo no primeiro lance do desafio, Yannick esquecido pela defesa «encarnada» se isolou e não fosse uma recepção de bola deficiente poderia ter feito algo mais perante uma saída astuta de Quim. Assistiu-se, depois, a um jogo de muito estudo táctico, mas uma supremacia imensa do Benfica no seu terreno de jogo. As duas peças interiores do meio-campo, Yebda e Martins, apresentavam um nível de rendimento bastante elevada, onde praticamente sem erros, o Benfica ia galgando terreno, faltando, contudo, um pouco mais de criatividade para perfurar uma densa defesa «leonina», que a espaços sofria alguns calafrios, em deambulações de José António Reyes ou em tentativas de remate do paraguaio Óscar Cardozo. Chegou-se ao intervalo com um nulo aceitável pela falta de ocasiões de golo de ambas as partes, embora fosse nesta altura o Benfica o principal controlador de todos os momentos do desafio. O recomeço do segundo tempo foi o antagonismo do que se tinha vivido no começo do desafio. O Benfica parecia destemido a chegar à vantagem, com o Sporting a abrir também as suas linhas na procura de um momento de felicidade. Apesar das insistências de Cardozo e de uma «bomba» de Carlos Martins que não fez estragos, o momento do jogo chegaria aos 67 minutos, num lance onde duas das grandes figuras do mercado «encarnado» trouxeram ao de cima todo o seu talento. José António Reyes não teve receio de endossar o esférico à procura de Aimar as redes da luz, o que aconteceu numa devolução teleguiada do mago argentino com o espanhol numa trivelada seca a levar a Luz à loucura e a colocar a vantagem no marcador. Como em outros célebres momentos, a equipa benfiquista manteve a toada e o Inferno da Luz estava aceso, o seu adversário não tinha capacidade para o suster, e como que se uma transposição desse momento vibrante nas bancadas para o relvado fosse uma realidade, Carlos Martins cobra um livre no flanco direito para uma entrada de rompante de Sidnei a rebentar de felicidade as gargantas no Estádio da Luz. 2-0 para o Benfica. O Sporting sentia agora responsabilidade de fazer algo para contrariar o rumo dos acontecimentos, mas eram os «encarnados» quem exerciam um controle total do desafio, onde apenas em remates de longe (Moutinho e Veloso) os «leoninos» aspiraram a criar perigo. O Benfica venceu o Sporting na Luz, numa partida onde os frutos do trabalho que tem vindo a ser realizado neste início da época começam aos poucos a ser uma realidade.
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