1- Diogo Freire
2- Diogo Figueiras
3- Abel Pereira
4- João Pereira (CAP) ( 18- Nélson Cunha ) 80’
5- Roderick Miranda
6- Leandro Pimenta
7- José Coelho (17- Hélio Vaz) 45’
8- Saná
9- Adul (13- Tiago Ribeiro) 80’
10- David Simão
11- Danilo Pereira
Suplentes não-utilizados: Pedro Miranda, Fábio Carvalho, Diogo Coelho, Cafu
Treinador: João Alves
Real Sport Clube
12- Hugo Figueiredo
22- David Rosa (CAP)
3- Diogo
18- Carlos Lima (6-Flávio) 67’
10- Torrado
13-Hugo Pereira
8- Marramiz
2- Garry
7- Zeca (17- Williams) 90’
19- Riso
25 Tomás (15-João Faria) 80’
Suplentes não-utilizados: Pedro Silva, José Lima, Leandro, Edgar
Treinador: João Silva
Árbitro: Rui Rodrigues (Lisboa)
Golos: Danilo Pereira (43’), Tomás (44’), David Rosa (74’)
Amarelos: Hélio Vaz (62’), Diogo (38’), Zeca (86’)
MVP: Leandro Pimenta (SLB), Hugo Figueiredo (RSC)
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Tarde típica de Outono no Seixal, a começar com um Sol radioso e a terminar com um céu muito carregado, para receber o encontro referente à 5ª jornada do nacional de juniores que colocava frente-a-frente o Sport Lisboa e Benfica e o Real Sport Clube.
Perante as bancadas relativamente numerosas (tendo em conta o “derby” à noite), o Benfica apresentou um onze com diversas limitações, composto por Diogo Freire na baliza, sendo o eixo defensivo entregue aos habituais Abel e Roderick, surgindo o agora capitão João Pereira na esquerda estando reservado o corredor direito para o adaptado Diogo Figueiras (mercê da lesão de Pedro Eugénio). No meio campo, Leandro, Simão e Danilo iam-se revezando nas diferentes posições, com tendência para Leandro jogar mais como “6” e Danilo surgir mais perto da grande área contrária.
Mais na frente, Coelho ocupava a banda esquerda, Adul descaía para a direita, no apoio ao improvável ponta de lança Saná. Esta decisão não deixava de causar uma certa estranheza, dado que Hélio Vaz estava no banco e tinha marcado nos dois últimos encontros. Para além disso, nota para a inexistência de outras alternativas no banco para além de 5 juvenis, marca das dificuldades por que tem passado este plantel.
O jogo começou numa toada morna, com o Benfica a assumir as despesas do jogo, mantendo-se o Real numa postura de expectativa, espreitando sempre o contra-ataque, numa estratégia já antes vista em outras formações que visitaram o Seixal.
Aos 7 minutos, o primeiro lance de perigo: Adul aparece isolado pela direita e, face à saída do guarda-redes, atira cruzado bem junto ao poste. Dois minutos volvidos, uma das melhores oportunidades do encontro! Cruzamento perfeito de David Simão na esquerda que encontrou Saná na pequena área que, de cabeça, apenas com o guardião contrário pela frente e com tudo para facturar, atirou ao poste. A bola ainda rondou a linha de golo até ser afastada pelos centrais da equipa da Massamá. Pela ilusão de óptica chegou-se a gritar “Golo!” no Seixal.
Neste início de jogo um dos jogadores mais em foco era Coelho, que ia canalizando grande parte do volume ofensivo do Benfica pela esquerda do ataque. O extremo ex-Inter esteve sempre muito irrequieto e aos 10 minutos tem uma boa combinação com Simão em que este acaba por atirar à meia-volta por cima. Passados quatro minutos, o mesmo jogador protagoniza uma bela arrancada em que deixa 3 atacantes pelo chão até ser desarmado oportunamente pelo central do Massamá.
O Real reagiu e aos 15 minutos chega com enorme perigo à grande área do Benfica. Na abordagem a um lance aparentemente inofensivo há um desentendimento entre Figueiras e Roderick, ficando os dois pelo chão e sobrando a bola para Garry que, isolado frente a Diogo Freire e com tudo para inaugurar o marcador atirou frouxo e à figura, permitindo a defesa ao guardião Benfiquista.
À passagem dos vinte minutos, o Benfica voltou a surgir por cima no jogo, com dois excelentes disparos de Leandro Pimenta da entrada da área a criarem realtivo perigo para a baliza dos forasteiros.
Pouco depois, João Alves nota o “desperdício” que estava a ser ter um jogador influente como Saná metido entre os centrais e desloca o internacional sub-19 para a direita, passando Adul a ser a referência de ataque da equipa encarnada.
Aos 40 minutos de jogo, depois de uma falta perigosa sobre Danilo no limite da grande área, Coelho bate o livre de pé direito, numa execução quase perfeita, fazendo a bola sobrevoar a barreira em direcção ao ângulo superior da baliza e permitindo a Hugo Figueiredo uma estirada fantástica. Foi a defesa da tarde!
Mercê do domínio Benfiquista e uma marcada timidez do ataque visitante ia-se adivinhando o 1º golo do Benfica. E este surgiu a dois minutos do intervalo, quando Leandro Pimenta pega na bola na meia-direita e, num slalom perfeito entre quatro adversários, acaba por descobrir Saná sozinho na direita. Este levanta a cabeça e cruza milimetricamente para o aparecimento de Danilo entre os centrais a cabecear forte para o fundo das redes. Estava feito o primeiro no Seixal! Parecia que o mais difícil estava feito!
Contudo, na jogada imediatamente a seguir, Zeca surge à vontade na direita do ataque do Real e tira um cruzamento muito largo ao segundo poste, onde surge Tomás a cabecear para a igualdade. Balde de água fria no Seixal e numa jogada fabricada pelos dois extremos do Massamá e onde tanto os laterais do Benfica como o próprio Diogo Freire (que ainda toca na bola) acabam por ficar algo mal na fotografia.
Pouco depois o intervalo, com uma igualdade que parecia algo injusta para a pressão e o volume ofensivo encarnado no primeiro tempo, em especial pela banda esquerda onde Coelho, apesar de nem sempre optar pela melhor opção, era o elemento mais em foco da equipa da casa.
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Talvez por isso tenha constituído uma surpresa para muitos quando foi o 7 que ficou nas cabines ao intervalo para dar lugar a Hélio Vaz. Este posicionou-se na frente de ataque, onde estava em constantes trocas posicionais com Saná e Adul. O Benfica ia empurrando o Real para trás e, na mesma jogada, Leandro e Hélio Vaz surgem bem perto do golo.
O avançado ex-Montijo entrou bem na partida e conseguiu incutir uma certa dinâmica ao ataque encarnado. Aos 10 minutos do tempo complementar foi dele um bom remate da entrada da área que passou pouco por cima da baliza de Figueiredo.
O Benfica sufocava o Real que nem conseguia sair da sua grande área e aos 63 minutos, num ressalto na grande área, acaba por ser Hugo Figueiredo a salvar o Real ao sair muito rápido dos postes e a antecipar-se a Roderick.
Cinco minutos depois, David Simão tenta a sua sorte de muito longe com um excelente disparo que rasa o poste direito da baliza e aos 70 é Leandro Pimenta que, após um cruzamento largo de Figueiras, surge solto ao segundo poste a atirar forte para a baliza, tendo um defesa evitado o golo em cima da linha.
Perante este intensa pressão, quando o que seria de esperar era uma vantagem benfiquista, acaba por ser a turma da linha de Sintra que chega ao golo. Uma bola parada do Benfica origina um contra-ataque mortífero conduzido (salvo-erro) por Zeca e finalizado pelo defesa-direito David Rosa, num lance em que mais uma vez Diogo Freire deu a sensação de poder ter feito mais.
Um golo totalmente contra a corrente do jogo mas a castigar uma certa incapacidade da equipa do Benfica concretizar algumas das oportunidade que teve, bem como uma ansiedade bem patente desde o início da segunda parte, aliada a uma relativa anarquia táctica.
O Benfica tentou reagir e nos dois minutos seguintes tem duas boas oportunidades. Primeiro Danilo, descaído para a direita e já dentro da grande área atira às malhas laterais e praticamente a seguir, na sequência de um livre na direita batido por Simão, Adul antecipa-se aos centrais e cabeceia forte. Contudo, a bola foi embater violentamente no poste mais distante da baliza visitante pela segunda vez na partida. Parecia que a bola não queria mesmo entrar na baliza do Real!
A partir desse momento deixou de haver qualquer táctica e começou também a pesar algum cansaço acumulado neste grupo de jogadores: Simão ou Danilo, por exemplo, davam sinais de evidente fadiga física. Contudo, e apesar dos protestos da bancada para João Alves mexer na equipa, este olhava para o banco e via apenas 5 juvenis como possíveis opções de campo. Finalmente, aos 80 minutos, optou por lançar em campo Nélson Cunha e Tiago Ribeiro, tirando Adul (esgotadíssimo) e o capitão João Pereira (tendo braçadeira passado para o ex-capitão David Simão).
Num esquema de “tudo ou nada”, Tiago Ribeiro passou a ocupar a banda direita, deixando Diogo Figueiras com o flanco esquerdo. No centro, Leandro e Saná eram os jogadores mais recuados, tentando organizar o jogo e controlar defensivamente, apoiando os 4 (!!!) pontas de lança do Benfica (Hélio, Nélson Cunha, Roderick e Abel).
Foram 15 minutos (contando com os 5 de compensação) de uma pressão intensa e com os jogadores a tentarem dar tudo (ainda que nem sempre com a maior das clarividências). Contudo, o Massamá reagiu muito bem ao bombear de bolas por parte do Benfica e defendeu irrepreensivelmente, procurando guardar a bola longe da sua área e apostando um pouco também no “anti-jogo”.
Sem grandes soluções e capacidade de reacção, o canto do cisne do Benfica surgiu num remate de muito longe de Figueiras, já em cima dos 95 minutos, praticamente inofensivo para Hugo Figueiredo, o que evidencia bem a falta de ideias por parte da turma visitada e a muralha muito bem montada por parte da equipa de João Silva.
Acabava assim o jogo no Seixal, dando ao Benfica a primeira derrota neste nacional de juniores, sob o signo de uma certa contestação dos adeptos presentes no Seixal que, não obstante tratar-se de uma exibição muito pálida dos encarnados, pareceram sempre mais preocupados em criticar jogadores e equipa técnica do que propriamente a incentivar a equipa. Destaque ainda para a presença de uma “comitiva” de numero razoável de adeptos do Real à qual a sua equipa fez questão de agradecer no final do jogo.
Relativamente ao jogo em si, acaba por ser uma derrota dura para o Benfica, marcadamente injusta, resultante de uma combinação de azar, azelhice e uma excelente prestação da equipa da linha de Sintra que, apesar de ser manifestamente inferior ao Benfica, teve humildade, espírito de sacrifício e soube aproveitar as suas oportunidades para vir roubar ao Seixal 3 pontinhos que certamente são muito saborosos. Destaque para o nº2, Garry, médio ofensivo holandês com um excelente toque de bola, o extremo direito Zeca que acaba por estar ligado aos dois golos da sua equipa e a Hugo Figueiredo, o guarda-redes que o ano passado foi dispensado dos juvenis do Benfica rubricou uma excelente exibição e foi decisivo na conquista dos três pontos. Contudo, não deixa de ser verdade que a razão dessa dispensa está cada vez mais patente: apesar da boa exibição, a sua baixa estatura parece cada vez mais um enorme “handicap” na posição que ocupa!
Quanto a João Alves, voltou a ter opções tácticas que são, no mínimo, algo discutíveis (como a utilização de Saná a ponta de lança ou a substituição de Coelho ao intervalo) mas tem a atenuante de estar a trabalhar com um plantel sem as mínimas opções de banco para uma equipa que se considera candidata ao título. Faltam Pedro Eugénio, Ivanir, André Soares, Yartei e Nélson Oliveira, tudo jogadores que, em condições normais, seriam titulares desta equipa. Faltarão também reforços para certas posições cirúrgicas da equipa. E João Alves olha para o seu banco e vê apenas juvenis ainda pouco maduros para entrar e resolver jogos complicados como este. Está certo que o problema está longe de ser apenas esse, mas a verdade é que sem ovos não se conseguem fazer omeletas!
Arbitragem discreta, sem grandes casos, apenas dúvida num lance em que o árbitro opta por mostrar amarelo a Hélio Vaz por suposta simulação à entrada da grande área (de onde eu estava, pareceu-me correcta a decisão)…
Um último agradecimento ainda aos treinadores João Alves e João Silva e ao jogador Roderick Miranda pela acessibilidade demonstrada para o flash-interview!
Análise individual:
Diogo Freire- 4 Tarde pouco feliz para o guarda-redes do Benfica. Apesar de estar seguro na maior parte do encontro, nos dois lances de golo deu a impressão de ter ficado mal batido, face aos remates algo frouxos dos adversários e ao facto de, nas duas vezes, ainda ter tocado na bola sem impedir que esta se dirigisse para as redes encarnadas. Um guarda-redes de equipa “grande” destaca-se por ter que intervir poucas vezes e bem e, desta feita, Diogo Freire não foi particularmente feliz.
Diogo Figueiras- 4 Nota-se que é uma adaptação e, por isso, comete erros relacionados com a sua falta de rotinas. Tentou ser acutilante no ataque mas sofreu pelo facto do caudal ofensivo do Benfica na primeira parte ter sido destinado na sua maioria para o flanco esquerdo. Defensivamente, cometeu bastantes erros, desentendendo-se com Roderick num lance que só não deu golo por sorte e deixando fugir Tomás no lance do primeiro golo do Real. Na 2ª parte teve um rendimento mais regular e foi quando passou para o flanco esquerdo que surgiu mais em jogo e com vontade de alterar o rumo dos acontecimentos. Infelizmente, não foi o suficiente.
Abel Pereira- 6 Compensa por vezes erros infantis (tem um duplo-erro crasso na primeira parte numa situação em que valeu Roderick) com a raça e abnegação do costume. Com o desenrolar do jogo foi-se aventurando no ataque e terminou como ponta de lança. Não tem responsabilidades nos golos.
João Pereira-4 Apesar do flanco esquerdo ser o mais produtivo da primeira parte, João Pereira por poucas vezes arriscou a subir e combinar com Coelho. Defensivamente foi seguro mas acabou por ser do seu flanco que nascem os dois golos do Massamá. Tentou apoiar mais o ataque na segunda parte mas sem grandes frutos. Saiu a 10 minutos do fim.
Roderick Miranda- 7 Partilha com Leandro Pimenta o prémio de melhores em campo do lado do Benfica. Teve apenas uma falha grave durante todo o jogo (num lance à passagem do primeiro quarto de hora em que se desentende com Figueiras). Imperial no jogo aéreo perante um ponta de lança contrário muito possante, muita classe nos desarmes e até acabou a dar uma perninha lá na frente. Não fez um jogo perfeito, mas começa a tornar-se um caso sério neste Benfica.
Leandro Pimenta-7 O melhor em campo da equipa encarnada. Ou pelo menos o mais regular durante todo o jogo. E Leandro até fez um jogo uns furos abaixo daquilo que já mostrou esta época. Mas a verdade é que, apesar de algumas dificuldades perante a agressividade do meio-campo contrário, o nº6 foi, como de costume, o “patrão” do meio campo. Está ligado ao primeiro golo benfiquista, sendo ele que faz o desequilíbrio na meia direita, e levou sempre perigo à defensiva do Real de cada vez que se aproximava do último terço do terreno. Acabou o jogo praticamente a libero. É, muito provavelmente, o jogador benfiquista em melhor forma neste início de época.
José Coelho- 6 Foi provavelmente a melhor unidade durante a primeira parte. Nem sempre as coisas lhe saíram na perfeição, nomeadamente no passe, mas a verdade é que dinamizou sempre a esquerda do ataque, com muita raça e luta. Parece é cada vez mais notório que tem poucas características de extremo, sendo um jogador que procura quase sempre espaços interiores. Nota-se que vai estando cada vez mais adaptado a esta equipa e, a 100% será sem dúvida uma opção a ter em conta. Mostra, para já, um excelente entendimento com David Simão.
Saná- 6 Apesar de uma primeira parte discreta, “perdido” entre os centrais forasteiros ou encostado à direita, Saná ainda conseguiu fazer uma assistência magistral e mandar uma bola ao poste. Na segunda parte jogou no centro de terreno e foi dos que mais tentou levar a equipa para a frente. Nesta altura, face ao cansaço e onda de lesões, é um dos maiores sacrificados da equipa. Saná não é, nem nunca será ponta de lança, tendo em vista que a finalização até é uma das suas maiores pechas. Ainda assim, foi uma das unidades “mais” do Benfica.
Adul-4 Parece que só tem o “efeito talismã” quando salta do banco. Até foi dele a primeira oportunidade do Benfica, logo aos 7 minutos, mas a verdade é que cedo desapareceu do jogo. Primeiro encostado à linha e depois como ponta de lança, teve uma exibição discreta e só se voltou a fazer notar a meio da segunda parte quando cabeceou uma bola ao poste. Sairia pouco depois.
David Simão-5 Apesar de ainda não ser o jogador que pode e deve ser, Simão desta feita procurou jogar simples e de forma eficaz. Não arriscou tanto o passe longo e tentou jogar fácil e procurar muitas vezes o remate de meia-distância. Estava em nítidas dificuldades físicas na segunda parte mas a verdade é que cerrou os dentes e era vê-lo aos 90 minutos a fazer carrinhos e a dar tudo por tudo. O jogo não lhe saiu de feição mas vontade parece não faltar… o imenso talento que tem não deve demorar a surgir!
Danilo Pereira- 5 O mais discreto dos elementos do meio-campo. Apesar do golo e de por mais uma ou outra vez ter surgido em boa posição na grande área, a verdade é que não conseguiu ser muito influente, especialmente na tarefa de “10”, que desempenhou durante grande parte da partida. Acabou também de rastos.
Hélio Vaz- 5 Entrou e dinamizou a equipa, tendo colocado alguns problemas aos centrais do Real e desperdiçando algumas oportunidades para marcar. Foi-se apagando com o decorrer da 2ª parte.
Nélson Cunha- 3 Numa fase em que o Benfica já jogava com 4 pontas de lança, passou completamente despercebido.
Tiago Ribeiro- 5 Boa entrada do juvenil, dando um novo fulgor à banda direita. Mostrou maturidade e agressividade.
Flash-interview
João Alves, treinador do Sport Lisboa e Benfica
Como comenta esta derrota?
O que se pode dizer? Foi uma primeira parte em que a equipa jogou bastante bem, tendo em vista as limitações que são conhecidas. Na segunda parte acabámos por pagar o preço da sobrecarga, em que temos utilizado sempre o mesmo grupo de jogadores (ainda para mais tendo em conta que durante a semana muitos jogadores estiveram ao serviço da selecção). Senti a equipa muito cansada, especialmente a partir de meio da segunda parte, não tendo já força para reagir às adversidades. Foi um jogo típico entre uma equipa grande e uma equipa “chatinha”, que se fecha bem, que luta e trabalha muito. Depois a bola não quis entrar a equipa fica ansiosa… Acaba por ser também uma lição para todos nós.
Porquê a adaptação do Saná ao centro do ataque, tendo um ponta de lança como Hélio Vaz no banco?
O problema do Benfica acabou por não ser esse, visto que na 1ª parte com o Saná na frente até foi quando jogámos melhor. O Hélio vem de uma paragem prolongada e não tem pernas para os 90 minutos e está ainda a adaptar-se a esta realidade que é jogar no Benfica e por isso a opção de começar no banco. Relativamente às adaptações, às vezes, face às limitações da equipa é preciso fazer das tripas coração e ter espírito de sacrifício, mesmo num clube grande como o Benfica.
João Silva, treinador do Real
Comentário à esta vitória?
Foi um jogo de grande domínio do Benfica onde apostámos numa técnica de contra-ataque. Acabámos por sofrer um golo no fim da primeira parte quando já não pensávamos poder sofrer mas reagimos bem e empatámos logo de seguida. Na segunda parte rectificámos alguns erros e defendemos bem e mesmo antes do golo houve uma ou outra situação em que se o contra-ataque sai bem poderíamos ter chegado à vantagem mais cedo. Depois, o Benfica manifestamente não foi feliz ao não conseguir chegar ao empate mas a sorte também faz parte do jogo e, desta vez, esteve do nosso lado. Uma palavra ainda de apreço ao “Ser Benfiquista” e ao trabalho muito interessante desenvolvido nas camadas jovens!
Roderick Miranda, central do Benfica
Análise desta derrota?
Foi um jogo em entrámos com a esperança de vencer, face a uma equipa muito defensiva. Na 1ª parte fomos pacientes mas acabámos por sofrer um golo logo após o nosso num lance fortuito do ataque do Real. Reagimos mal e entrámos algo ansiosos na 2ª parte. Depois sofremos o segundo num contra-ataque e deparámo-nos com o típico “autocarro” do Real a defender não conseguindo chegar a um resultado mais positivo. Apesar da derrota, esta não belisca em nada a ambição de sermos campeões nacionais e, por vezes, derrotas destas até acabam por ser “boas” para unir o grupo, torná-lo mais forte e aprender com os erros.
Apesar da derrota de hoje, o Roderick tem sido um dos destaques deste início de época do Benfica, tendo mesmo merecido a chamada à selecção de sub-19, como comenta este seu arranque fulgurante?
Bem, eu comecei o ano com uma concorrência forte, como é a do Abel e do João Pereira (jogadores que admiro e respeito muito!), mas tive sorte de começar a jogar e ir ganhando o lugar na equipa. Estou a gostar bastante e a chamada à selecção foi também um prémio e um orgulho.
Reportagem de Pedro Pires, Serbenfiquista.com.



