|
Filme da época Foram 11 longos e duros meses. O Benfica começou a trabalhar muito cedo para uma temporada demasiado preenchida e demasiado tumultuosa. A época começou com duas péssimas noticias, as lesões de Bebé, que só voltaria às quadras em Março, e André Lima, que só voltaria em Fevereiro. Cumprindo o primeiro objectivo da época, a conquista da Supertaça frente ao Sp.Braga/AAUM, por 8-3, o Benfica seguiu para a Bulgária, para jogar e ganhar a Fase de Apuramento da UEFA Futsal Cup. Internamente a equipa começou o campeonato com uma derrota fora com a Fundação, num jogo em que viu Amandus e Ricardinho serem expulsos. Em Outubro, e já com muitos trabalhos da Selecção pelo meio, o Benfica foi para Itália jogar a Ronda de Elite da UEFA Cup, onde Dinamo de Moscovo e Luparense provaram ser adversários demasiado fortes para um Benfica desfalcado.
Secção integrada no clube
Após o Europeu, que contou com a presença de 5 jogadores do Benfica, a equipa retomou as lides internas, com tranquilidade, até ao conturbado período do Natal. Problemas resultantes da saída do antigo director-geral, Engº Luis Moreira, levaram à integração na Secção no clube, o que levou a bastantes reajustamentos e foi um período complicado, agravado com as duas derrotas consecutivas ante o Sporting, para o campeonato e para a Taça, competição da qual o Benfica ficou prontamente arredado, bem como a lesão de Rogério Vilela, que só voltaria a jogar na final do play-off. Seguiram-se as saídas de Sidnei e Amandus, emagrecendo o plantel. No fim de Janeiro chegou César Paulo, o pivot que faltava há muito ao Benfica.
Troca técnica
Na segunda volta o Benfica perdeu em casa com a Fundação e após a derrota no Freixieiro, houve troca de treinador. Adil Amarante, em fim de contrato, foi convidado a antecipar a saída do clube, e chegou Beto Aranha. Beneficiando de um “abanão” psicológico na equipa e também de um calendário mais acessível, o Benfica foi somando vitórias, trepando na tabela, onde o Belenenses começou a vacilar. As últimas jornadas resultaram mesmo na ascensão do Benfica à liderança, e ao cabo das 26 jornadas o Benfica terminaria com mais 1 ponto que o Belenenses, com 21 vitórias, 1 empate e 4 derrotas, enquanto o Belenenses somaria 20 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, uma delas averbada na secretaria por utilização irregular de um jogador na 1ªJornada.
Play-off sofrido, mas categórico
No play-off, com muitos jogadores bastante cansados pela época longa e intensa, o Benfica ganhou em 2 jogos ao Alpendorada, e nas meias-finais teve pela frente o Sporting. Após a categórica vitória por 6-4 em Loures, o Benfica teve talvez o pior jogo da época em casa, perdeu 2-4. Na “negra”, num jogo épico, não brilhante, mas muito emotivo, o Benfica venceu por 8-6 e seguiu para a justa final, com o Belenenses. A final foi muito difícil, desde logo com o jogo no Restelo onde o Benfica jogou contra 7 e perdeu por 4-3, pese embora a goleada por 6-0 no 2ºjogo, a “negra” foi de longe o melhor jogo da época, só decidido no prolongamento e com vitória para o Benfica por 4-2, e consequente título de campeão nacional, o primeiro “bi” da história do Benfica.
Análise individual do plantel:
Bebé – Época ingrata, marcada pela longa ausência para debelar a fractura no escafóide da mão direita. Só voltou a jogar em Março, e inicialmente demorou a chegar ao seu melhor nível. Felizmente na final do play-off surgiu já ao seu melhor, e foi muito importante com a assombrosa prestação na finalíssima. Sempre em ascensão, espera-se que para o ano consiga ainda mais. Rogério Vilela – Outra época ingrata, pela terceira temporada consecutiva. Primeiro foram problemas musculares graves, depois uma pubalgia, e este ano uma lesão ligamentar no joelho. Ainda assim este jogador de enorme valor desempenhou sempre um papel muito importante no grupo, e a prova de que os responsáveis do Benfica acreditam nele foi a renovação do seu contrato para a próxima temporada, onde se espera um Rogério no seu melhor.
Pedro Costa – Foi o único elemento a jogar como titular todas as partidas do Benfica. E mais uma vez foi fundamental, rei das assistências, com 28 passes para golo no campeonato, na condução do jogo, um líder nato, uma peça chave para o futsal do Benfica. Pequeno mas genial, somou o sétimo campeonato da sua carreira ao curriculum!
André Lima – A despedida do capitão. Ausente até Fevereiro, para debelar lesão no joelho, regressou às quadras para ajudar, já longe do fulgor de outras épocas. Ainda assim, sai das quadras aos 37 anos como campeão, e deixou para trás por exemplo o facto de ter marcado ao Sporting nos 3 jogos do play-off… Algo que nunca se cansou de fazer! Abraça agora a carreira de treinador, e logo com a responsabilidade de conduzir os seus ex-colegas.
Arnaldo – Não teve o regresso triunfal que se esperava, até à final do campeonato, onde pura e simplesmente resolveu o jogo. Veio de Espanha um jogador mais colectivo, perdeu alguma influência com a mudança de treinador, mas nunca se deixou abater e ficará para sempre ligado à conquista deste bi-campeonato como o homem que resolveu a final.
Zé Maria – Jogador fundamental, pela sua versatilidade, entrega e rendimento. Para um jogador que se divide pelas posições defensivas e da ala, 19 golos e 10 assistências no campeonato são um registo muito importante e revelador da importância deste benfiquista nesta equipa, que foi sub-valorizada desde a troca de treinador. Continuará no Benfica como uma das peças chaves da equipa.
Gonçalo Alves – Época de afirmação. Foi regular ao longo de toda a época, assumindo um papel fundamental como fixo, depois da lesão de Rogério Vilela. Marcou 19 golos no campeonato, decidiu jogos, foi líder da equipa dentro do campo, e ganhou definitivamente o respeito e admiração de todos os benfiquistas, e diga-se, como todo o mérito. Jogador brilhante e profissional exemplar, soma o 4ºcampeonato nas últimas 5 épocas ao seu curriculum, tal como Bebé.
Ricardinho – Já não há palavras para o descrever. O Mágico voltou a ser o grande artilheiro da equipa, com 36 golos no campeonato, mas também teve em evidência no colectivo, com as 26 assistências a serem reveladoras de um jogador mais maduro e de equipa. Sempre a evoluiu e ainda com margem de progressão à sua frente, os benfiquistas desesperam para que o “10” vá ficando na Luz mais épocas, que continue a espalhar magia e a resolver partidas.
Carlos Paulo – Teve nesta época a possibilidade de fazer os seus primeiros dois jogos completos como titular do Benfica. E apesar de ter defrontado equipas mais fracas, respondeu bem. Apesar de completar a segunda época sem jogar, prossegue a sua aprendizagem, e para o ano continuará no Benfica, para continuar a sua evolução.
César Paulo – Craque. Chegou em Janeiro e os 29 golos em 19 jogos falam por si. Na meia-final fez 6 golos e na final 5. O pivot que faltava há muito ao Benfica acabou por revelar-se fundamental na revalidação do título, pelo seu enorme valor e rendimento. Honra e agradecimento a quem o recomendou e a quem o contratou. É destes craques o Benfica precisa!
Miguel Almeida – Acaba por ser a maior desilusão da época. Esperava-se mais no seu regresso ao Benfica, mas Miguel não atingiu patamares de rendimento que já conseguiu no clube. Apesar de tapado, teve as suas oportunidades, mas só em rasgos ocasionais se viu um pouco daquilo que pode e sabe fazer. Neste momento a sua permanência ainda constitui uma dúvida.
Sidnei – Uma das saídas de Janeiro. Teve novamente dificuldades de lesões, que lhe roubaram espaço na equipa. Não era um jogador feliz e pediu para sair em Janeiro, o Benfica foi sensível e aceitou o pedido. Prosseguiu a carreira no Japão, com Adil Amarante no Nagoya Oceans. Esteve dois anos ao serviço do Benfica e deixa um saldo positivo no seu rendimento. João Marçal – O suplente mais utilizado. Acabou por quase sempre alternar bons e maus momentos, mas a sua entrega, espírito de grupo e trabalho continua a marcar pontos a seu favor. Conseguiu ainda 13 golos, registo assinalável para alguém com poucos minutos por jogo. Irá para a terceira época de águia ao peito.
Zé Carlos – Acabou por jogar muito mais esta temporada, fruto da lesão de Bebé. Apesar de contestado e também de alguns erros, o seu rendimento global é bom, e terminou mesmo a época em muito boa forma. Um histórico do Futsal do Benfica, o único desde a 1ªhora sempre ao serviço do clube, irá continuar no Benfica, com perspectiva de encerrar a carreira no clube.
Ricardo Pereira – o jovem pivot promovido aos seniores, teve uma época de aprendizagem junto dos seniores. Continuará a ter de trabalhar para crescer e confirmar o seu potencial, ganhando espaço na equipa.
Amandus – A outra saída de Janeiro. Não confirmou esta época factores em que foi determinante na época passada: segurança na defesa, golos importantes. Não espantou a sua saída.
Adil Amarante – Cumpriu a sua última etapa neste ciclo como treinador do Benfica. Ainda suspenso, viu da bancada a conquista da Supertaça. Voltou ao banco, mas em Março viria mesmo a sair, decisão arriscada, mas que teve com base a falta de acordo para a renovação do contrato. O seu trabalho deixou marcas e criou bases, e é ele também um campeão nacional!
Beto Aranha – Não vinha com uma missão nada fácil, mas teve resultados. Conseguiu subir a equipa até ao primeiro lugar e ganhou o play-off. Tudo seria perfeito, não fossem outros problemas internos, que levaram ao seu afastamento do clube.
Nélito, Pedro Henriques e Victor Leite – A restante equipa técnica foi sempre fundamental para o sucesso da equipa. Os históricos Nélito e PH somaram mais títulos ao seu cartório, enquanto Victor Leite chegou em Março e ainda foi importante no seu capitulo especifico, a preparação física.
Fernando Tavares e João Pedro Ferreira – São estes os rostos que agora comandam o futsal do Benfica. Num processo de transição bastante complicado, com a integração da modalidade a 100% no clube, são também responsáveis por tudo o que se passou esta época, nomeadamente pela brilhante contratação de César Paulo.
Restante staff – São muitas as pessoas que trabalharam duro para que a equipa tivesse sucesso. São pessoas que pela sua dedicação e competência, são elos fundamentais nesta equipa de sucesso: dos técnicos de equipamentos aos fisioterapeutas, de outros directores à Casa do Benfica na Bairrada, passando por todos aqueles que livremente e sem nada em troca entregam-se a este projecto para que tenha sucesso.
|