|
Espectáculo emocionante
“Não há dois jogos iguais” escrevi na crónica do jogo de ontem, e a “negra” deu razão a esta frase feita. A primeira parte foi do melhor futsal que se viu esta época, muito bem disputada de parte a parte, com um ligeiro ascendente do Belenenses, contrariado rapidamente pelo Benfica. Bebé primeiro, e Marcão depois, deram um verdadeiro festival de grandes paradas, confirmando as suas credenciais de guarda-redes de elevada qualidade. Nos primeiros 20 minutos destaque para as ocasiões mais flagrantes para Ricardinho, com defesa simplesmente do outro mundo de Marcão, um remate ao poste de Arnaldo, e a acabar César Paulo a conseguir desenvencilhar-se da grande marcação a que foi sujeito, mas Marcão por duas vezes foi enorme. O ritmo muito intenso foi uma constante, bem como o critério bem largo da equipa de arbitragem.
Demorou o golo
A segunda parte trouxe mais do extenuante ritmo de jogo imposto pelas equipas. A abrir, Ricardinho assistiu para o desvio de cabeça de André Lima, ligeiramente ao lado. Pouco depois Matê isola-se, mas Bebé foi mais uma vez, enorme. Pouco depois, e numa altura em que começavam a escassear os desequilíbrios, Ricardinho tirou da cartola um passe de calcanhar, que isolou Pedro Costa aos 10 metros, com o 4 do Benfica a atirar com estrondo ao poste do já batido Marcão. A meio da primeira parte, uma série de boas ocasiões sucessivas termina em golo. Primeiro Marcão volta a adiar o inevitável, na resposta Max procurou tanto colocar a bola que esta saiu ao lado e na resposta a este lance Arnaldo trabalhou na ala esquerda, ainda teve o primeiro remate bloqueado, mas recarga foi de “fúria” e só parou no fundo das redes! Estava finalmente inaugurado o marcador, pondo fim a 31 minutos onde Bebé e Marcão foram os homens do jogo.
Erro dá prolongamento
A perder, o Belenenses colocou imediatamente Marcão a jogar adiantado, aumentando assim o seu tempo de posse de bola. Ainda assim, e tal como na véspera, mesmo neste sistema o maior perigo veio das iniciativas individuais, nomeadamente de Marcelinho, que contudo continuou bastante desinspirado na finalização, e de Diego Sol que continuou a esbarrar em Bebé. O Benfica ainda conseguiu duas boas ocasiões para matar a partida, mas João Marçal não foi lesto na decisão das jogadas… e acabaria por ficar ligado ao golo do empate, pois um passe errado seu entregou o ouro ao bandido, neste caso a Jardel, que recebeu e disparou em posição frontal batendo inapelavelmente Bebé. Com menos de 3 minutos para jogar, as equipas correram menos riscos, ainda assim os últimos segundos quase davam logo o título ao Benfica, mas Jardel cortou o contra-ataque de Ricardinho e César Paulo, e na marcação da respectiva reposição lateral, o Benfica conseguiu isolar Pedro Costa em posição frontal, mas o tiro de longe saiu torto.
O mágico!
O tempo extra foi ainda mais emocionante que a partida, e viria a determinar a sorte do jogo, e ainda bem, porque decidir um campeonato nos penalties era algo que nenhuma destas equipa merecia. A abrir, jogada fantástica de Pedro Costa, que ficou “sem força” para finalizar da melhor maneira. Pedro Cary obrigava Bebé a brilhar mais e mais, mas foi no minuto 44 que surgiu a magia. Numa altura em que o cansaço já era muito, Ricardinho com Maté pela frente meteu a bola à frente, “foi de mota”, entrando isolado pela ala direita e fuzilou Marcão para o 2-1, num momento de génio. Logo na resposta Paulinho falhou o golo de baliza aberta… mas ainda faltava a segunda parte do prolongamento…
Emoção, emoção, temos bi-campeão!
Os derradeiros 5 minutos resumem-se aos golos. Primeiro novo empate, com um passe excelente de Paulinho a isolar Jardel ao segundo poste, que fruto dos seus muitos centímetros aproveitou a saída extemporânea de Bebé (único erro da partida) para cabecear para o 2-2. Mas Ricardinho e Arnaldo tiveram uma jogada do outro mundo, e deram nova vantagem ao Benfica. O mágico fez um passe fantástico do meio do campo para a ala direita, Arnaldo desmarcou-se nas costas do defensor, isolado, com classe extrema, livrou-se de Marcão e atirou a contar. Com o Belenenses novamente lançado em 5 x 4 assumido, aconteceu o inevitável. Perda de bola para César Paulo, que sem precipitações fez o chapéu a Marcão, deixando o marcador em 4-2 a 1:59 do fim, deixando o título à porta. Até final Bebé ainda deu mais espectáculo, mas o bi já não fugiu, estava brilhante, briosamente conquistado! Naquele que foi pessoalmente o melhor jogo de futsal jogado esta época em Portugal, o título veio para o Benfica, o primeiro “bi” da história do Futsal encarnado, ante um adversário que fez uma época espectacular, e que tem tudo para se assumir como uma potência do futsal nacional. É hora de festejar! Mais reportagem nos próximos dias.
Ficha de jogo Campeonato Nacional FutSagres 2007/8 – 3ºjogo das 1/2 finais do Play-off SL BENFICA 4-2 CF OS BELENENSES (0-0 ao intervalo; 1-1 no fim do tempo regulamentar) Pavilhão Açoreana Seguros, cerca de 2400 espectadores (lotação esgotada) Árbitros: António Cardoso e Ricardo Eufrásio
Benfica: Bebé; Gonçalo Alves, Pedro Costa, Ricardinho (1) e César Paulo (2). Arnaldo (2), Zé Maria, André Lima (cap) e João Marçal. Não jogaram: Zé Carlos; Rogério Vilela e Miguel Almeida. Treinador: Beto Aranha
Belenenses: Marcão; Marcelinho, Caio Japa, Jardel (2) e Diego. Matê, Pedro Cary, Max, Paulinho e Drula (cap). Não jogou: Marco Mateus; Vinicius. Treinador: Alípio Matos Disciplina: Cartão amarelo a César Paulo, André Lima, Pedro Costa, Zé Maria e Zé Carlos; Caio Japa e Diego.
Marcha do marcador: 1-0 Arnaldo (31’); 1-1 Jardel (37’); 2-1 Ricardinho (44’); 2-2 Jardel (46’) 3-2 Arnaldo (47’); 4-2 César Paulo (48’).
|