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E terminava este Domingo uma semana totalmente despropositada (com três jogos) onde muita coisa se poderia decidir, mas que terminou com as contas todas em aberto. O Sporting, com apenas um ponto em dois jogos, recebeu o primeiro classificado Benfica que em caso de vitória poderia garantir, praticamente, a conquista do título. Um pouco dando continuidade ao que tem sido a época «leonina», existiram algumas surpresas, desde logo sem a inclusão dos “intocáveis” Altair Júnior e Afonso Figueiredo no onze inicial.
O Benfica apostou no mesmo onze de Guimarães, procurando maior controle a meio-campo, com a inclusão de Gonçalo Dias e Rui Silva que foram as novidades no onze inicial, em relação ao encontro de Quinta-Feira ante o Porto (ver caixa)..
Benfica com algum ascendente sofre o primeiro
 Sancidino Silva
Começou o grande derby, a um ritmo lento, com muito estudo onde ambas as equipas se mostraram receosas de procurar qualquer coisa mais. O Sporting estava muito pressionado, sentia que se não vencesse, as suas hipóteses de chegar ao título estavam praticamente terminadas. O Benfica estava mais tranquilo mas sentiu, nos primeiros minutos, a pressão do desafio.
Ainda assim foram os «encarnados» quem demonstraram algum ascendente nos minutos iniciais. O primeiro lance de algum perigo, surgiu aos 6 minutos, numa boa jogada de entendimento que culminou num forte remate de Marco Grilo a sofrer um desvio num defensor contrário que quase levava perigo à baliza defendida por João Gomes.
O Benfica continuava por cima, tendo tido aos 10 minutos nova boa ocasião para marcar. Marco Grilo cobrou um livre de forma rápida, com Pedro Almeida a cruzar para a entrada da área, cabeceando Toni Sá para defesa segura do guardião «leonino». O domínio do desafio estava repartido, nenhuma equipa se mostrava realmente por cima, e o Sporting, no primeiro lance ofensivo que criou, acabou por se adiantar no marcador.
 Pedro Almeida
Na tentativa de fazer uma transição rápida, Marco Grilo foi obrigado a regressar, perdeu a bola, que encontrou a velocidade de Alberto Coelho a ultrapassar João Santos e a atirar cruzado para o primeiro golo da partida. Muita festa dos jogadores do Sporting. Galvanizados com o golo, os jogadores «leoninos» vieram mais afincadamente à procura do segundo, sempre por intermédio de Alberto Coelho que não soube aproveitar um bom passe de João Carlos, quando já dentro da área atirou por cima.
Rui Silva deu o golo a Bakary numa grande jogada de Dino
Era necessário alterar alguma coisa e o Benfica acabou por fazer uma troca aos 20 minutos, saindo Gonçalo Dias (tocado), entrando para o seu lugar Pedro Dias, uma opção mais ofensiva e de maior profundidade do futebol de ataque dos «encarnados». Dez minutos volvidos a substituição, com o Benfica a equilibrar a contenda, Sancidino Silva fez uma diagonal soberba, passou por três elementos do Sporting, abrindo o jogo em Rui Silva que meio em remate, meio em cruzamento, jogou atrasado para a conclusão afirmativa de Bakary a colocar tudo igual no marcador.
Mais uma vez numa situação de muita pressão, os jogadores do Sporting baixaram as linhas e o Benfica poderia mesmo ter ido para o intervalo em vantagem, se o cabeceamento de Sancidino Silva em resposta a um livre cobrado por Pedro Almeida, não tivesse errado, por pouco, o alvo.
«Águias» dão banho de bola
 Rui Silva
A segunda parte trouxe ao de cima a verdadeira superioridade que o Benfica exerce neste campeonato. Foi um domínio total, do primeiro ao último minuto, com imensas ocasiões de golo. Logo aos dois minutos depois do descanso, Bruno Gaspar tirou um bom cruzamento da esquerda, Sancidino Silva ficou muito perto de fazer o golo, com o remate a sair ao lado.
Assistia-se a uma pressão muito alta do Benfica, com Sancidino Silva em plano de destaque. 46 minutos, descaído para o flanco direito, trabalhou bem sobre dois adversários, saiu mal a conclusão, com um remate por cima quando já se encontrava em excelente ocasião para marcar.
Um minuto depois, jogada de insistência de Toni Sá, o esférico sobrou para Bakary que ultrapassou com uma excelente recepção de bola Thomas Ravera e atirou ao poste. Na ressaca do lance, novo remate de Bakary, grande intervenção de João Gomes a negar o golo ao senegalês do Benfica. O Benfica mexeu pela segunda vez no jogo, saindo Rui Silva para a entrada de Miguel Herlein.
 Toni Sá
Miguel Herlein teve o golo à mercê
A toada do jogo mantinha-se a mesma, com o Benfica a criar muito jogo para um Sporting totalmente apático. Minuto 56, Pedro Dias ganha a segunda bola à entrada da área, passou por um adversário em velocidade e atirou para mais uma bela defesa de João Gomes.
Apontava o relógio para os 62 minutos quando o Benfica teve a melhor ocasião de toda a segunda parte para fazer golo. Bakary ganhou a disputa individual a Thomas Ravera, cruzando de pé esquerdo para a pequena área onde se encontrava Miguel Herlein, solto de marcação, não conseguindo o golo que esteve muito próximo de acontecer, cabeceando para as mãos de João Gomes, quando se exigia outro tipo de finalização.
Segunda parte com um remate do Sporting, um golo
O Sporting estava totalmente atrás, não conseguia reagir ao maior poder do Benfica. Já depois do árbitro ter dado os dois minutos de compensação, Ângelo Martins bateu mal a bola, não conseguindo aliviar a pressão. Altair Júnior, descaído para a direita, com um bom gesto técnico tirou do lance dois defensores do Benfica, jogando cruzado em João Carlos que numa excelente recepção orientada ganhou a «cara» do lance e atirou cruzado para o golo do Sporting, que colocou uma injustiça tremenda no placar, face ao que foi a partida.
 João Santos
O Benfica teve tudo para sair de Alcochete com os três pontos, numa segunda parte de autêntico festival de futebol, onde se sucederam muitas ocasiões de golo para os «encarnados». O Sporting teve a sorte do jogo num lance totalmente inesperado, com Alberto Coelho a confirmar a veia de goleador a oferecer os três pontos ao Sporting e a colocar os «leões» novamente na luta pelo título. Apesar da derrota, Benfica é líder!
Apreciação Individual:
Ângelo Martins (6) – Esteve bem em todo o jogo, seguro e eficaz assim como se pedia. Acabou por bater mal a bola o que acabou por originar o segundo golo do Sporting. Força Ângelo, os benfiquistas estão contigo!
Pedro Almeida (7) – Grande capitão. Reuniu a equipa no final do jogo e transmitiu-lhes a mensagem de que ainda são os líderes. Muito eficaz a defender, não permitiu grandes lances pelo seu flanco.
Fábio Leite (7) – Teve pela frente um Alberto Coelho inspirado. Muito forte na antecipação, ganhou vários lances ao avançado do Sporting. Bom jogo.
João Santos (7) – Foi batido em velocidade no lance do primeiro golo, ainda assim esteve muito forte na leitura que fez do jogo e na capacidade defensiva que oferece sempre à equipa.
Bruno Gaspar (7) – Não está a jogar na sua posição natural, mas ainda assim não compromete. Muito inteligente a cair sempre no adversário certo, fechando as linhas de passe. Saiu bem no ataque, foi talvez o melhor do sector defensivo.
Marco Grilo (6) – Não esteve nos seus dias. Perdulário no lance do primeiro golo, errou alguns passes. Subiu de rendimento no melhor período do Benfica.
Gonçalo Dias (5) – Saiu aos 20 minutos de jogo tocado.
Toni Sá (8) – Fez uma óptima segunda parte. Muito ao seu estilo, algo preso à bola na maioria dos lances, esteve contudo muito forte no auxílio ao ataque e nas diversas jogadas de perigo que criou.
Rui Silva (6) – Não esteve no seu melhor. Essencial na obtenção do primeiro golo, acabou por perder alguns lances quando tentava o um para um. Levantar a cabeça, o Rui tem imensa qualidade e vai certamente provar isso mesmo até ao final da época.
Sancidino Silva (9) – Que jogo fenomenal. Na primeira parte demorou a arrancar, mas já a caminhar para o final da mesma soltou todo o seu futebol com uma grande jogada para o golo de Bakary. Na segunda parte foi tudo dele, gestos técnicos deliciosos, não perdeu nenhuma bola (e atenção, em 40 minutos isto não é exagero), fartou-se de criar lances perigosos de golo. Melhor em campo.
Bakary (8) – Pareceu algo mole nos primeiros minutos, mas também ele melhorou muito na segunda metade. Excelente a jogar de costas para a baliza, travou um duelo muito interessante com Thomas Ravera.
Suplentes:
Pedro Dias (6) – Trouxe outra amplitude ao jogo, mas entrou pouco no mesmo. Teve contudo um lance para facturar.
Miguel Herlein (6) – Teve nos pés, nesta caso na cabeça, a melhor oportunidade do Benfica na segunda metade. Decidiu mal mas tem também de levantar a cabeça.
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Flash-Interview com o Mister Bruno Lage:
“Foi um resultado muito injusto. Se o empate já o seria, depois de nós termos feito a segunda parte que fizemos, perder num lance onde tivemos alguma falta de concentração, que acontece neste escalão, torna o resultado muito injusto. Foi pena termos entrado algo receosos. Trabalhámos muito e falámos para que isso não acontecesse, sofremos o primeiro golo num erro nosso, numa transição rápida, um passe interior que saiu mal e onde fomos apanhados desprevenidos, surge o primeiro golo, os jogadores cresceram, a equipa reagiu, fizemos uma jogada fantástica que nos deu o empate, e a segunda parte foi… totalmente nossa. Preparámos muito bem o facto de termos dois jogos com dois dias de intervalo, e sabíamos que íamos estar por cima na segunda parte. Jogámos melhor, tivemos várias oportunidades de golo, bola no poste, muitas defesas do guarda-redes, tivemos um futebol mais adulto, e depois no fim, temos aquela situação, que enfim… nos desanima mas não nos deita abaixo, pois estamos em primeiro!”
A recuperação não só física mas também psicológica dos jogadores vai ser muito importante para o próximo desafio…
“Estamos em primeiro. Apesar de sentirmos que foi um resultado muito injusto, onde os miúdos acabaram o jogo a chorar, mas nada está perdido, vamos ter algum tempo para recuperar, para descansar – algo que não tivemos nesta semana muito intensa – mas nada está fechado, antes pelo contrário. Estamos em primeiro, temos dois jogos disputados fora, falta um, temos seis pontos e vamos trabalhar!”
André Sabino, Serbenfiquista.com.
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