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Disputou-se hoje no Seixal a 3ª jornada da Fase Final do Nacional de Juvenis, que colocou frente a frente os dois primeiros classificados da prova, ambos com 4 pontos. O Benfica vinha de um empate muito saboroso no Olival, enquanto o Sporting tinha conseguído uma vitória já ao cair do pano frente ao Boavista no terreno das «panteras».
Reeditava-se o principal derby do futebol nacional, numa primeira fase do campeonato em que os «leões» se superiorizaram aos «encarnados» nos Pupilos (casa do Benfica na 1ª fase) por 0-2, enquanto os comandados de João Couto venceram os «verde e brancos» em Alcochete por 2-1, acabando o campeonato isolados na primeira posição. O técnico benfiquista continua sem poder contar com Nelson Oliveira, uma peça essencial da equipa que está ao serviço da selecção sub-19.
Dando um pouco continuidade ao jogo do Olival, onde a entrada em campo do senegalês Paul Keita se revelou decisiva, o técnico benfiquista apresentou o mesmo sistema táctico base, apenas com a nuance de Lassana Camará e Ruben Pinto irem alternando como Extremos Esquerdos, e Paul Keita constituir o tridente a meio-campo com Abdel Vieira e Ruben Pinto ou Lassana Camará (ver caixa)..
 Roderick Miranda
Num dia de sol, a chuva fez questão de marcar (e de que forma) os primeiros minutos do desafio. Caiu um autêntico dilúvio no Seixal, o que acabaria por condicionar o relvado, e os jogadores, que escorregaram imensas vezes e assistiu-se a um jogo menos trabalhado, e mais de insistência, emoção. Foram uns minutos iniciais onde o Benfica estava a ter alguma dificuldade em explanar o seu futebol, com o Sporting a controlar a partida, embora sem ter reais situações de golo.
O primeiro susto surgiu aos 11 minutos, num remate bastante traiçoeiro de Cedric Soares, defendendo Fábio Pereira para a frente (a bola estava muito molhada), com Henrique Gomes a não conseguir desfeitear o guardião «encarnado» que respondeu bem com uma boa cobertura ao lance. O Benfica procurava reagir, e acabou por ser os caseiros a usufruir das melhores ocasiões para chegar ao intervalo em vantagem.
 Lassana Camará
Primeiro foi Adul, numa jogada individual a procurar surpreender Ruben Luís – o remate saiu ao lado -, seguindo-se o melhor lance da primeira metade, numa excelente jogada de entendimento entre Ruben Pinto e Lassana Camará com este último a deixar Toumany em excelente posição, procurando o chapéu a Ruben Luís (conseguido) mas não com a força suficiente para evitar o corte providencial de Cedric Soares.
Chegou-se ao intervalo com um jogo muito morno, sem grandes ocasiões de golo, onde ambas as equipas pareciam algo receosas de apostar tudo, logo desde a primeira metade.
Só deu Benfica
 André Campos
Ao intervalo, o técnico João Couto fez sair Paul Keita, entrando para o seu lugar Artur Lourenço. O Extremo do Benfica veio dar outra criatividade ao flanco, permitindo também que Lassana Camará começasse a pautar o jogo desde o centro, o que se revelou decisivo para a supremacia demonstrada pelos «encarnados».
Até foi do Sporting o primeiro aviso, num remate frouxo de Luís Oliveira logo aos dois minutos da etapa complementar. O Benfica estava muito forte defensivamente e acabaria por ser o capitão André Campos a iniciar uma excelente jogada de contra-ataque, lançando para Toumany Sambú que abriu o flanco a Adul, que efectuou a diagonal e rematou, em excelente posição para marcar, mas o esférico saiu torto, às malhas laterais da baliza do Sporting.
Foi novamente o Benfica a criar perigo, novamente Toumany Sambú em boa posição para marcar – num passe fantástico de Lassana Camará – mas Ruben Luís fez uma excelente mancha, evitando o golo. Os «leões» responderam, ainda que de forma ténue, num remate de Alexander Zahavi a tentar surpreender o guardião Fábio Pereira.
Só dava Benfica, eram dos «encarnados» as melhores ocasiões de golo, e Toumany acabaria por desperdiçar nova boa hipótese para marcar, num lance de insistência de Artur Lourenço, que culminaria com um excelente passe para o senegalês que de pé esquerdo viu, mais uma vez, Ruben Luís negar-lhe o golo. O Sporting estava com os sectores muito afastados e o Benfica pressionava muito alto, saindo dos pés de Artur Lourenço nova oportunidade para marcar, mas o remate cruzado saiu por cima do ferro. Acabaria por ser um domínio total das «águias» até ao minuto 60 (altura em que Ruben Pinto quase faz golo), conseguindo o Sporting aliviar a pressão e equilibrar a contenda.
 Adul
Sporting perigoso
Os visitantes passaram a jogar mais no meio-campo do Benfica, muito por culta da substituição que colocou Zahavi na posição 9, um elemento mais móvel, permitindo muitos movimentos de ruptura e triangulações entre os elementos ofensivos. Foi William Carvalho a assustar, num remate ao lado aos 66 minutos. As duas melhores ocasiões do Sporting em todo o desafio surgiram num espaço de dois minutos. Primeiro Renato Santos deixou William em excelente posição que à saída de Fábio Pereira não conseguiu fazer o chapéu para golo.
Já com Diogo Ribeiro em campo, o avançado do Sporting recém entrado esteve perto de facturar, mas o cabeceamento a um cruzamento de Luís Carlos saiu um pouco ao lado. Até final do jogo, apenas a registar uma entrada muito dura de Luís Carlos a Lassana Camará, o que originou alguma agitação e o cartão amarelo mostrado a Toumany, de uma equipa de arbitragem comandada por Hélder Malheiro que procurou assumir o protagonismo do jogo com muitas decisões erradas, sempre em prejuízo do Benfica.
 Tiago Ribeiro
Apreciação Individual:
Fábio Pereira (7) – Não teve grandes lances para intervir, foi chamado apenas a espaços e revelou-se atento.
Tiago Ribeiro (6) – Primeira parte interessante, algo inseguro no passe, mas bem defensivamente e na procura de auxiliar o ataque. Acabou por acusar o desgaste físico nos minutos finais, mas num plano razoável.
Roderick Miranda (8) – Muito bem. Foi o melhor elemento do Benfica na primeira metade, com imensas intervenções valiosas, ora no despique individual, ora a sair a jogar.
André Campos (8) – É hoje o melhor em campo. Primeira parte de qualidade, onde procurou e conseguiu ganhar todos os duelos. Na etapa complementar foi um senhor, grandes saídas em contra-ataque, muita alma, grande eficácia em todos os momentos.
André Dias (7) – Muita qualidade. Pé esquerdo cerebral, ganhou muitos duelos a Zahavi, revelando-se extremamente forte no capítulo da antecipação. Acabou tocado e teve poucas oportunidades para aplicar o seu «venenoso» pé esquerdo – sobretudo através de lances de bola parada.
Abdel Vieira (7) – Excelente primeira parte. Muito forte no pressing e nas saídas aos adversários, ganhou muitas bolas divididas e auxiliou muito bem o ataque.
Ruben Pinto (7) – Não esteve tão acertado como ultimamente, acabou por sair completamente esgotado. Trabalhou e esteve nos principais lances do Benfica, exibição positiva, não sabe jogar mal.
Lassana Camará (8) – Primeira parte apagada, sem lances de maior. Mudou radicalmente no segundo tempo, onde pegou no jogo do Benfica e trouxe a equipa para a frente. Precisa, contudo, de exagerar um pouco menos nos lances individuais.
Paul Keita (6) – Esteve desinspirado. Apesar de auxiliar bem em termos defensivos, acabou por oferecer pouco à equipa na altura de sair para o ataque.
Toumany Sambú (7) – Está algo perdulário na finalização. Fez tudo bem, construiu, ajudou imenso a segurar os centrais, mas tem de ser mais concretizador na hora de rematar. Ainda assim, exibição positiva.
Adul (8) – Dos melhores enquanto esteve em campo. Muito forte no capítulo técnico, ultrapassou vários elementos e era nos seus pés que o Benfica procurava a hipótese de decidir o jogo.
Suplentes:
Artur Lourenço (8) – Revolucionou o jogo. Muito forte na esquerda, ganhou vários lances na disputa individual. Procurou a sua sorte no remate, acabou por contribuir com bons passes para golo (sobretudo um lance para Toumany).
Silvério Camará (5) – Pouco ou nada trouxe, acabou por errar alguns lances.
André Delfino (-) – Muito pouco tempo em campo.
Vote Aqui!
Flash-Interview com o técnico João Couto:
“Penso que demos uma primeira parte de avanço. Andámos a escorregar muito, não nos adaptámos ao piso, embora não tenhamos sido inferiores ao Sporting. Tivemos uma claríssima ocasião de golo, eles penso, não tiveram nenhuma. Eles controlaram e trocaram melhor a bola a meio-campo, nós perdemos um pouco do domínio naquele espaço. A segunda parte… penso que foi toda nossa, merecíamos ter ganho. Pelas oportunidades que criámos, pela forma como estivemos em campo, pelo domínio do jogo, acho que a haver um vencedor, éramos nós.”
Perspectivas para a ida ao Bessa?
“É ganhar. Temos de ir ganhar ao Boavista, o Porto ganhou, temos todos (os três grandes) 5 pontos, e vamos jogo a jogo, tentar ganhar lá e é a luta, até ao fim!”
De alguma forma, a ausência do Nelson Oliveira sente-se muito nesta equipa…
“Claro, poderia ser um pouco hipócrita e dizer que só fazem falta os que estão. Por um lado é verdade, mas o Nelson Oliveira é um dos melhores jogadores da equipa, é o melhor marcador a par do Toumany, é uma peça fundamental, mas claro, tivemos outra posição, deixámos sair o Nelson para a Selecção, e vamos esperar que ele venha em boas condições físicas para os últimos três jogos.”
Flash-Interview com Artur Lourenço:
“Penso que o Sporting entrou um pouco melhor, ainda assim foi equilibrado, mas o Benfica na segunda parte tomou controle do jogo, tivemos oportunidades de golo, onde podíamos ter conseguido os três pontos e agora estar numa situação um pouco mais vantajosa. De qualquer forma está tudo em aberto, continuamos à frente em igualdade pontual com os nossos principais adversários, e agora é ir ganhar ao Boavista!”
André Sabino, Serbenfiquista.com.
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