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Quem é Quique Flores? Natural de Madrid, Quique nasceu no seio de uma família famosa. O pai, Isidro Sanchez, é um ex-jogador do Real Madrid, da década de 60, enquanto que a mãe, Cármen Flores, é uma conhecida cantora e actriz.Apesar de ter nascido na capital, foi em Valência que Quique nasceu para o futebol. Lateral direito de posição, jogou durante 10 temporadas consecutivas ao serviço do Valência CF, durante as quais realizou 232 jogos e marcou 14 golos. Em 1994, Quique cumpria o sonho de jogar no clube do coração, o Real Madrid. Em 2 épocas nos merengues, vestiu a camisola branca por 63 ocasiões e consquistaria o primeiro título da sua carreira, a Liga Espanhola, em 1995.No fim desse ano, sairia do Real para cumprir a última temporada como jogador, tendo feito 9 jogos ao serviço do Zaragoza.Quique foi também internacional espanhol por 15 ocasiões, com a chamada para o Mundial de 90 a ser o ponto mais alto da carreira.
A carreira como treinador: Logo após terminar a carreira de jogador, Quique tirou o Curso de Treinador da Real Federação Espanhola. Educado, estudioso, tendo sido um jogador de bom nível, continuar no mundo do futebol era inevitável. Rezam as crónicas que, ainda enquanto jogador, organizava torneios de um jogo de computador, cujo objectivo era comandar uma equipa de futebol.
Do mundo virtual para a realidade foi um pequeno passo. O Real Madrid, clube por onde já tinha passado, ofereceu-lhe o primeiro emprego. Flores assumiria o comando da equipa de Juniores do Real Madrid, curiosamente imitando o percurso de uma das suas referências, Rafael Benitez.Numa equipa em que pontificavam nomes como Ruben de La Red, Javier Balboa, Javi Garcia ou Esteban Granero, conquistou o campeonato Espanhol de Juniores. Angel Torres Sanchez, presidente do Getafe, á altura um pequeno clube dos arredores de Madrid, que militava na 2ª Divisão, atento ao trabalho que Quique Flores vinha realizando com os jovens “merengues”, convidou-o para liderar a equipa técnica. Decorria então o ano de 2003.A primeira época superou todas as expectativas. Quique pegou numa equipa que ficara em 11º lugar em 2002/2003, levando-a a um fantástico 2º lugar, a apenas 3 pontos de ser campeão da Liga BBVA. Com uma equipa modesta, em que a maior estrela era o veterano médio romeno Craioveanu, previa-se que a permanência seria um objectivo extremamente difícil de alcançar. A equipa terminou a primeira volta a apenas 2 pontos da linha de descida, mas uma grande segunda volta, marcada pela vitória frente a Real Madrid (2-1), deu um 13º lugar e uma manutenção tranquila, a 10 pontos do 18º classificado.
Seguiu-se o convite do Valência, mais um passo em frente na carreira do madrileno. Pegando numa equipa que tinha ficado num modesto 7º lugar, conseguiu colocar o Valência na Liga dos Campeões por 2 anos consecutivos, fruto de um 3º e um 4º lugar. Na 2ª temporada, levaria o Valência a uma excelente prestação na Liga dos Campeões. A equipa cairia apenas nos quartos-de-final, aos pés do Chelsea de Mourinho, com alguma infelicidade, depois de um empate (1-1) em Stamford Bridge.Partiria para a 3ª época já sob alguma contestação dos adeptos, mas sobretudo vivendo um ambiente muito tenso com o director desportivo Carboni. Essa animosidade mútua, tal como a decisão do presidente do Valência em apoiar Carboni, aliás, seria a principal razão do seu despedimento, a 28 de Outubro de 2007, quando se encontrava a apenas 4 pontos do 1º Lugar.
Perfil e Modelos Tácticos: Organizado, meticuloso, adepto de um futebol prático e virado para o resultado, assim é Quique Flores.Jorge Valdano e Rafa Benitez são as referências dentro da sua profissão e Francisco Segura o adjunto de sempre. Ao contrário da maioria dos treinadores espanhóis, adeptos de grandes cargas físicas sem bola, Quique é um adepto da periodização táctica. Nos treinos, não separa a parte física da parte técnico-táctica, antes promove uma preparação integrada de todos esses elementos, daí que os seus preparadores físicos, Francisco de Miguel primeiro e Julen Masach depois, tenham sido mais adjuntos do que propriamente técnicos exclusivos da parte física.Em termos tácticos, Quique não está “preso” a um sistema específico. No Getafe, utilizou sobretudo o 4-2-3-1, de forma a encaixar o organizador Craioveanu na equipa. No Valência, por seu lado, o 4-4-2 clássico foi o sistema mais usado na Liga Espanhola, sendo que, na Europa, a equipa alterava para um 4-3-3, com apenas um médio defensivo (Albelda) e 2 interiores. Respeitador, educado, muito próximo dos jogadores, faz-se respeitar assim, não vendo necessidade de ser um disciplinador. Artigo escrito por Gonçalo Lino também conhecido por Johncleese nos foruns do nosso site.
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