Era assim um desafio que se esperava com um desfecho vitorioso para os “encarnados”, até para dar continuidade à péssima estatística da formação seixalense no seu terreno, onde esta temporada já tinha sido goleada por 8-0 frente ao Sporting.
O Benfica apresentou um onze com algumas mudanças, a dar continuidade aquilo que tem sido a rotação imposta pela equipa técnica ao longo das últimas jornadas. Bruno Gaspar regressou aos eleitos, depois de ter descansado frente ao Elvas, assim como Valdomiro Lameira, o ainda Infantil que tinha hoje hipótese de estreia na equipa principal de Iniciados. Fábio Leite, Pedro Almeida, Gerson Fidalgo e Miguel Herlein ficaram hoje a descansar.
O Benfica fez alinhar de início Hernâni Abreu na baliza; Bruno Gaspar como Lateral Direito, Daniel Martins como Lateral Esquerdo e Diogo Lemos e João Santos no eixo direito e esquerdo da defensiva respectivamente. A posição 6 foi hoje ocupada por Gonçalo Dias, actuando Pedro Dias como Médio Interior e Rui Silva na posição 10, no apoio ao tridente ofensivo composto por Pedro Carnoto à esquerda, Tiago Silva à direita e Martim Águas como elemento mais adiantado.
Construir bem, faltou mais acerto na finalização
As “águias” entraram forte na partida a mostrar desde cedo que queriam pressionar alto, tentando chegar de forma regular ao último reduto dos caseiros. A verdade é que o Benfica desenvolvia bons lances mas não tinha encontrado, até então, o antídoto para finalizar de forma vitoriosa.

André Costa
Aos 8 minutos, Tiago Silva deu o primeiro sinal de perigo ao arrancar pela direita e efectuar um cruzamento traiçoeiro quase desviado para golo por um defensor do Seixal. O Benfica crescia e chegou mesmo ao primeiro golo à passagem dos 14 minutos por intermédio de Rui Silva. O criativo do Benfica partiu de trás, flectiu para o centro e aplicou um forte pontapé que traiu o guardião do Seixal. Um a zero para os “encarnados”.
O Seixal tentou sempre responder mas não encontrou argumentos para ultrapassar o forte meio-campo recuperador do Benfica. A pressão intensificava-se e apesar de criar vários lances para facturar, os “encarnados” estiveram algo perdulários no capítulo da finalização como ficou bem patente em mais um lance criado por Tiago Silva que com um excelente cruzamento colocou a bola no sítio certo mas não obteve a resposta certeira de um companheiro.
À passagem dos 23 minutos, duas ocasiões soberanas para o Benfica se adiantar. Primeiro Tiago Silva, em excelente posição, proporcionou a defesa da manhã ao guardião caseiro, tendo dois minutos volvidos Martim Águas, isolado, tentando a finta acabou por ser desarmado pelo guarda-redes do Seixal, na sequência de uma fabulosa abertura de Rui Silva.

Rui Silva
O Benfica crescia mas não conseguiu ir para o intervalo com uma vantagem mais alargada. Ainda antes da ordem do árbitro para as equipas rumarem às cabines, Tiago Silva efectuou um lance de muita qualidade, rematando para defesa incompleta do guardião caseiro a que Martim Águas respondeu com um remate bem colocado mas novamente parado pelo número 1 do Seixal.
Só deu Benfica
Ao intervalo, Valdomiro Lameira (Estrela), Sancidino Silva e André Costa entraram para os lugares de Pedro Carnoto, Martim Águas e Daniel Martins respectivamente. A toada do jogo continuou a mesma, embora com o Benfica a revelar mais facilidade em encontrar caminhos próximos da baliza do Seixal.
Rui Silva estava a caminhar para uma exibição memorável e eram dos seus pés que nasciam grande parte das jogadas de perigo criadas pelas “águias”. Aos 40’, numa excelente incursão, deu hipótese de remate a Sancidino Silva que viu o guarda-redes seixalense negar-lhe o golo. Dois minutos volvidos, Rui Silva bateu um canto curto, Tiago Silva rematou à figura.
O Benfica voltou a mexer, saindo Pedro Dias para a entrada de João Marques. Pouco tempo depois, José Henrique rendeu Tiago Silva. A segunda parte, sobretudo nos minutos finais, veio trazer um Benfica de alto nível. Foi nessa fase que os “encarnados” vincaram a sua evidente superioridade que contou com dois criadores de grande gabarito: Bruno Gaspar e Rui Silva.

Sancidino Silva
Os dois desiquilibradores estavam a rubricar uma excelente exibição e se o primeiro, em cada arrancada que tinha, colocou vezes sem conta a bola na área, com conta peso e medida, o segundo mostrava um vasto leque de argumentos técnicos que deitaram por terra qualquer tentativa de reacção dos caseiros.
Aos 57 minutos, Bruno Gaspar com um grande cruzamento viu Sancidino Silva, com uma cabeçada espectacular, aumentar a contagem para o Benfica. O domínio intensificava-se e sempre os “encarnados” procuraram dar mais ao jogo. Diogo Lemos esteve perto de marcar na sequência de um canto, Estrela rematou com perigo depois de bom trabalho à entrada da área.
No entanto, o momento do jogo chegaria aos 63 minutos. Os presentes estão ainda a pensar como Rui Silva conseguiu fazer aquilo. Quem não viu, nem sabe o que perdeu. O camisola 10 do Benfica arrancou de trás, deambulou entre dois adversários, driblou outro, puxou para o pé esquerdo e num remate fantástico levou a bola ao ângulo da baliza do Seixal. Que golo!!
Os “encarnados” foram para cima e estiveram perto de fazer o quarto golo por intermédio de Sancidino Silva quando tentou colocar no poste mais distante, primeiro, seguindo-se uma iniciativa individual que apenas encontrou pela frente o inspirado guardião local a negar-lhe o golo.

Valdomiro (Estrela)
O Benfica realizou vinte minutos finais de extrema qualidade, onde mostrou muito futebol que neste momento só está ao alcance desta bela equipa do Benfica. Novamente a rotação fez-se sentir, os jogadores estão alegres, cientes de que todos podem trazer qualidade ao grupo, o que nesta altura da época, é essencial. Grande grupo que se está a formar!
Apreciação Individual:
Hernâni Abreu: O Seixal apenas fez um remate à baliza e foi já nos descontos num remate muito ao lado. Sem trabalho, mais não se podia pedir.
Bruno Gaspar: Grande jogo, mais um. Hoje realizou uma primeira parte de alguma reserva onde se resguardou para uma segunda parte de grande nível. Quem esteve atento e contou, o Bruno fez hoje mais de 5/6 cruzamentos letais direitinhos para golo. Grande pulmão, excelente capacidade técnica e facilidade no cruzamento.
Diogo Lemos: Esteve perto de marcar na sequência de um canto e mostrou também ele que pode vir a ser útil em desafios futuros.
João Santos: Sempre com muita classe, saiu hoje a jogar sempre de forma tranquila. Não teve trabalho praticamente nenhum a nível defensivo.
Daniel Martins: Jogou apenas a primeira metade e registou uma exibição positiva. Necessita de subir de forma mais regular e melhorar os seus recursos técnicos para “ir para cima” do adversário.
Gonçalo Dias: Bom jogo. Primeiro elemento da transição, foi sempre muito rápido a acelerar e tentar desposicionar os defensores contrários. Está a crescer…
Pedro Dias: Também a bom nível, inseriu-se sempre bem nas missões ofensivas. Necessita de alongar o seu futebol e apostar no passe longo na tentativa de criar desequilíbrios.
Rui Silva: Fantástico, melhor em campo. Foi possivelmente o melhor jogo da temporada. Sempre muito forte no um para um, hoje numa posição que lhe ofereceu mais liberdade subiu imenso de rendimento e fez dois bons golos, o segundo, de uma qualidade enorme. Cai bastantes vezes no flanco dando origem a lances de desequilíbrio. É cada vez mais um 10 moderno, capaz de aparecer nos flancos ou em lances de penetração pelo centro. Excelente!
Pedro Carnoto: Ganhou quase sempre o flanco esquerdo, dando origem a lances de perigo pela lateral. Tem de tentar flectir mais e apostar em lances de finalização.
Martim Águas: Hoje tentou aparecer sempre nas costas da defensiva para finalizar. Precisa de ser mais agressivo no lance dividido mas de qualquer forma realizou uma exibição de qualidade.
Tiago Silva: Foi o melhor na primeira metade, caindo um pouco de rendimento no segundo tempo. Poder de finta ao nível dos melhores, ganhou novamente o seu espaço nesta equipa.
Suplentes:
André Costa: Deu outra vivacidade ao flanco esquerdo e procurou, sempre que assim se exigia, aparecer em condições de cruzar ou apostar no seu forte pontapé. Está encontrada uma alternativa forte para o Lado Esquerdo da defesa.
Sancidino Silva: Marcou um golo de belo efeito, poderia ter marcado outros. Está muito forte sempre que chamado a finalizar.
Valdomiro (Estrela): Bela estreia. Foi sempre um elemento de perigo no flanco esquerdo da ofensiva, mostrando bons argumentos técnicos e facilidade em penetrar no último reduto do Seixal.
José Henrique: Forte no um para um, conquistou lances pelo flanco. Boa exibição.
João Marques: Jogou pouco tempo, ainda assim conseguiu levar muito perigo à baliza adversária num forte remate de longe.
Flash-Interview com o técnico José Alexandre Bruno:
Qual é o comentário que faz ao jogo?
“O Benfica apostou novamente na rotatividade o que é muito importante para manter o grupo unido, sendo esta uma das imagens de marca dos Iniciados “A” do Benfica: A união do grupo. Os jogadores que estiveram em campo continuaram a jogar aquilo que os outros também têm feito. As coisas não saíram na primeira parte, embora as oportunidades tenham sido bastantes. Na segunda metade, fomos uma equipa ainda mais perigosa, as oportunidades surgiram, os golos também apareceram e é um Domingo feliz porque para além da rotatividade que fizemos, reforçamos também a liderança!”
Esta rotatividade permite também encontrar várias soluções e ter uma equipa cada vez mais forte…
“Sim. A união de grupo aqui é fundamental e com a rotatividade qualquer jogador sente que aqui tem a sua oportunidade. No treino isso é bastante visível porque todos eles sabem que mais cedo ou mais tarde, com o sistema da rotação que temos imposto, eles podem jogar e ter a sua oportunidade. É também importante para analisarmos e sabermos com o que podemos contar de cada um quando forem jogos mais complicados do que frente a alguns adversários nesta primeira fase que à partida serão menos complicados.”
A chamada do Valdomiro é também um factor positivo para ele. Pode ficar nesta equipa?
“O que também nós apostamos bastante é não fechar as portas aos B’s e aos C’s. Não há a equipa A, B e C. Há o Benfica e o escalão de Iniciados onde qualquer jogador sabe que poderá ter a oportunidade de jogar tanto no A, como no B, como no C, e o Valdomiro tem trabalhado e teve a sua oportunidade, como outro poderá ter num futuro próximo.”
Reportagem de André Sabino, Serbenfiquista.com.


